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INTRODUÇÃO À LÓGICA FORMAL Próximo capítulo.

#1. Apresentação e objetivos:

 

O FILÔNET tem o prazer de oferecer aos seus visitantes essa pequena "apostila digital" de lógica. Ela possui um estrutura bastante simples, dividida em unidades, de modo a tornar o mais prazeroso possível o seu estudo. Em nossa próxima atualização, ao final de cada unidade ou módulo, você encontrará uma lista de exercícios propostos e jogos virtuais que poderão ser copiados para o seu computador e impressos sem restrições
Por fim, gostaríamos de ressaltar que o nosso objetivo é tornar o estudo de lógica formal (ou aristotélica) acessível a todos que se dispuserem a dedicar breves instantes de sua atenção e paciência. Esperamos, sinceramente, que o tema de tantos livros e cursos enfadonhos tenha sido tratado da forma mais interessante que lhe seja possível. Uma boa leitura! - Prof. Emmanuel Fraga

 

#2. Noções preliminares:

 

O objeto de nosso estudo é a lógica, mais especificamente a lógica formal (ou menor). No entanto, antes de iniciá-lo em seu estudo, algumas perguntas devem ser respondidas:

-PERGUNTA: O que é Lógica?
-RESPOSTA: Lógica é a ciência que pretende fornecer, mediante o estudo das estruturas do pensamento, as regras que devemos seguir se desejamos formular raciocínios válidos e corretos. Existem diversos tipos de lógica: lógica formal, material, matemática e etc. A lógica formal (ou menor ou aristotélica), por exemplo, se ocupa de nossos pensamentos apenas no que se refere a sua estrutura, ou o que quer dizer o mesmo, não se preocupa com a verdade, mas com a validade [VER] de nossos argumentos. Como é a base e o ponto de partida para todas as outras, nos ateremos a estudar seus princípios.

-PERGUNTA: A Lógica faz parte da Filosofia?
-RESPOSTA: Essa pergunta é difícil... Bem, apesar do estudo de lógica (sobretudo a formal) constituir disciplina obrigatória dos cursos de graduação em filosofia, esta representa mais um "vestíbulo" ou uma "ante-sala" ao exercício filosófico do que propriamente um departamento. Aristóteles, por exemplo, a considerava enquanto um órganon, isto é, um instrumento, do qual se vale a filosofia a fim de proporcionar maior precisão e rigor em seus argumentos. Mas a lógica não é de propriedade exclusiva do filósofo. Todo aquele que deseja entender e desenvolver raciocínios matemáticos e científicos deveria estudá-la. Para uma boa redação (olha aí, "galerinha" do vestibular...) é indispensável a união dos "3Cs", ou seja, coerência, clareza e coesão, no desenvolvimento de suas idéias. E nisto a lógica pode e vai lhe ajudar muito.

-PERGUNTA: Quando a Lógica foi criada?
-RESPOSTA: A lógica, tal como nos é apresentada hoje, surge com os gregos. Mas foi especialmente com Aristóteles que adquiriu a sua completude e perfeição. Mas os antigos não foram os únicos que se dedicaram à lógica, muito se discutiu sobre esse assunto. Alguns nomes importantes devem ser aqui lembrados. Entre os medievais: Porfírio, Boécio, Abelardo e S. Tomás de Aquino; entre os modernos: Leibniz, Wolff, Kant, Frege, Russel e Whitehead.

 

#3.Verdade X Validade:

 

A relação verdade-validade é tema de um sem-número de debates e artigos. No entanto, mesmo que discordemos da distinção clássica proposta por Aristóteles, temos que admitir que esta ainda é a mais utilizada em nosso cotidiano.
Na tradição "adequacionista", a VERDADE é CORRESPONDÊNCIA. Isso mesmo: a correspondência (adaequatio, para os medievais) entre o que pensamos e o objeto a que estamos nos referindo. Quando o que pensamos ou falamos sobre este objeto corresponde à realidade, dizemos que enunciamos a verdade. Se não ocorrer a correspondência, dissemos uma mentira.
Por outro lado, a VALIDADE diz respeito à estrutura lógica da argumentação, ou em outras palavras, ao encadeamento formal e lógico de nossos raciocínios. Se apresentarmos uma argumentação que siga determinadas regras (que veremos a seguir) teremos uma argumentação válida, caso contrário, um raciocínio inválido.
 

#3.As leis formais do pensamento:

 

Para que possamos erigir raciocínios (formalmente) válidos devemos, segundo os lógicos, atentar para quatro princípios ou leis evidentes, capazes de servir-nos de critério para o conhecimento verdadeiro. São eles:

  • Princípio da Identidade - Aquele que afirma a identidade de determinada coisa com ela mesma. Pode ser assim enunciado: Toda coisa é o que é.[1]
     

  • Princípio da (não-)Contradição - Determina que: Uma coisa —considerada sob o mesmo aspecto — não pode ser e não-ser ao mesmo tempo; por conseguinte, coisa alguma pode ter e não ter, ao mesmo tempo, determinada propriedade.
     

  • Princípio do Terceiro Excluído - Afirma que: Dada uma noção qualquer ou ela é verdadeira ou é falsa, isto é, não há um possível meio-termo entre a afirmação e negação. O princípio do terço excluído sustenta, assim, que só existem dois modos de ser, e por conseguinte, de dois juízos contraditórios, um é necessariamente verdadeiro e o outro falso.[2]
     

  • Princípio da Razão Suficiente - Esta lei é estranha a Aristóteles e aos escolásticos, pois foi primeiramente formulada por LEIBNIZ (1646-1716) em sua obra la Monadologia, §32[leia esta obra em formato digital]:

Fato algum pode ser tomado como verdadeiro ou existente, nem algum enunciado ser considerado verídico, sem que haja uma razão suficiente [grifo nosso] para ser assim e não de outro modo.


[1]O Princípio da Não-Contradição foi originalmente formulado pelo pré-platônico Parmênides de Eléia (ca. 530-460 a.C.) que nos diz [frag. 8, v. 16]: Ou uma (coisa) é ou não é” [tradução livre do original grego: e²stin h² ou¢c e²stin].[Saiba mais sobre o pensamento de Parmênides] Próximo capítulo.
[2]Muitos lógicos em virtude das semelhanças evidentes entre o Princípio da Contradição, consideram o Princípio do Meio Excluído como uma forma especial de contradição ou mesmo enquanto uma lei subordinada a esta.

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